20.7.15

GLUTEN

Doença Celíaca, Sensibilidade ao Glúten e Alergia ao Trigo - você sabe a diferença?

por Samanta Morelli - Nutricionista




Antes de mais nada, é importante entendermos o que é o glúten. 
Ele é uma proteína vegetal encontrada na semente de muitos cereais como trigo, cevada, centeio e aveia, é uma das proteínas mais complexas e de difícil digestão, por isso, pessoas com alguma intolerância possuem uma menor capacidade de digerir esta proteína. 



Seja na forma de pães, massas, salgados, tortas, biscoitos, cereais matinais ou mesmo bebidas como cervejas, o contato com o glúten aumentou significativamente nos últimos 40 anos juntamente com o consumo de carboidratos. Por coincidência ou não, após essa mudança no hábito alimentar, cresceu o número de casos das doenças relacionadas ao glúten: a doença celíaca, a sensibilidade ao glúten não celíaca (ou intolerância ao glúten) e a alergia ao trigo.

Você já ouviu falar sobre elas? Sabe a diferença de cada uma? Vamos explicar!

Doença Celíaca


A doença celíaca é a intolerância permanente ao glúten. Trata-se de uma resposta de hipersensibilidade a gliadina (proteína vegetal derivada do glúten), e, mais raramente, a outras proteínas também, levando a uma inflamação grave da mucosa intestinal. Os sintomas, que aparecem geralmente na infância, são diarreia, perda de gordura nas fezes, perda de peso, perda da força física, distensão e dor abdominal, náuseas, vômitos, edema (inchaço), entre outros.

Nessa doença, existe uma resposta autoimune ao glúten. Quando esta proteína chega ao intestino do celíaco, o organismo passa a produzir grande quantidade de anticorpos contra o glúten. Esses anticorpos agridem e danificam as vilosidades intestinais que inflamam e se atrofiam prejudicando a absorção dos nutrientes.


Fotos fonte: Google


Para ficar mais fácil de entender, a seguir temos duas imagens que mostram a diferença das vilosidades intestinais na Doença Celíaca e na mucosa saudável, respectivamente.

Abaixo - Mucosa do intestino delgado com as vilosidades atrofiadas:

Fotos fonte: Google

Acima - Mucosa do intestino delgado com as vilosidades normais.



O diagnóstico é feito através dos sintomas, pela dosagem do anticorpo antigliadina e por biópsia intestinal. Para reverter o quadro, é indicada dieta livre de glúten.

Sensibilidade ou intolerância ao glúten 

A sensibilidade ao glúten não celíaca é uma forma de intolerância ao glúten quando a doença celíaca e a alergia ao trigo forem excluídas. É uma condição clínica em que os indivíduos, após ingerirem alimentos que contenham essa proteína, apresentam alguns sinais e sintomas indesejados como dor abdominal, fadiga, dores de cabeça, dentre outros. Ela não envolve mecanismos alérgicos ou autoimunes, por isso, seus sintomas são menos graves.

Os pacientes que apresentam essa sensibilidade não toleram o glúten e desenvolvem uma reação adversa, provavelmente devido à exposição frequente ao trigo e demais cereais, que na maioria dos casos não leva a danos no intestino delgado. Essa intolerância é decorrente da má digestão do glúten, composto por proteínas longas, que por não serem digeridas completamente acabam se alojando na parede do intestino. 

A sensibilidade ao glúten é considerada uma condição mais recente, afetando de 6 a 10% da população. Ela é manifestada por sintomas intestinais que melhoram significativamente, ou até mesmo desaparecem, após a retirada da proteína da dieta.

O diagnóstico é feito por exclusão: com a retirada e reintrodução monitorada dos alimentos que contêm glúten. Assim, primeiro são descartadas as hipóteses de doença celíaca, alergia ao trigo, diabetes tipo 1, doenças inflamatórias intestinais e infecção por H. pylori. Por fim, ao analisar que os sintomas foram desencadeados pela exposição ao glúten e aliviados por sua exclusão, conclui-se o diagnóstico de sensibilidade ou intolerância ao glúten.

Alergia ao Trigo


Na alergia ao trigo, o organismo quando entra em contato com as proteínas desse cereal (glutenina e a gliadina) desencadeia uma resposta imunológica exagerada, mediada pela imunoglobulina E (IgE), como se o trigo fosse uma ameaça. Isso causa uma reação alérgica típica que desencadeia sintomas nas vias respiratórias ou na pele, como rinite, asma, urticária, e em alguns casos mais graves, anafilaxia (reação alérgica aguda e grave, que começa subitamente e pode ser fatal).

A alergia ao trigo é a mais comum entre as pessoas, uma vez que este é o cereal mais consumido. Em geral, ela se inicia em bebê e não tem cura devendo se excluir o trigo da alimentação para toda a vida. Porém, como o sistema imunológico é dinâmico, ao longo do tempo ele pode se adaptar e se reequilibrar sendo importante o acompanhamento periódico do médico alergologista.

O diagnóstico de alergia ao trigo é confirmado através de exame de sangue (dosagem de IgE) ou testes na pele.

Tratamento


Tanto pacientes celíacos, como os que apresentam alergia ao trigo ou intolerância ao glúten são beneficiados com uma dieta isenta de glúten. A única diferença é que na dieta para alergia ao trigo é necessário eliminar da alimentação todos os alimentos que tenham trigo ou farinha de trigo, mas não é necessário excluir o glúten, podendo-se consumir cereais como aveia, centeio, cevada ou trigo sarraceno.

É importante destacar que a aveia em si não contém glúten, mas como normalmente ela é processada nos mesmos equipamentos que o trigo e outros cereais, ocorre uma contaminação cruzada. Para as pessoas com intolerância, ela pode não desencadear sintomas. No entanto, aqueles que são portadores da doença celíaca ou alergia ao trigo deverão excluir o cereal da dieta por precaução.

No próximo post vamos dar algumas orientações sobre alimentos sem glúten e mostrar dicas de como encontra-los no mercado que frequentamos.  

Fale com a Nutri!

Samanta Morelli - Nutricionista especializada em nutrição clínica, apaixonada por comer bem e saudável. É personal diet e atende na Inspire Fit (Móoca) - telefones (11) 2776-3538/ (11) 97984-2078.

3 comentários:

  1. Bem explicativa tua postagem, muito legal ! Beijo, boa semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada! Ficamos feliz que tenha gostado! Bjs boa semana para você tambem!=^^=

      Excluir
  2. Muito interessante! Eu não sabia que tinha tanta diferença!

    ResponderExcluir

=^^= Comentário =^^=